Secret love
O amor entre linhas
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Deslize e casamento
Saí do provador:
" E aí? "
Ele riu, depois fingiu uma cara de sério; eu insisti:
"Fala, tá bom?"
Ele respondeu:
"Você tá linda", e deu mais uns risinhos; fiquei bravinha:
"É sério, por que você tá rindo seu besta?"
Ele, não segurando mais o tom de deboche, disse:
"Ta sexy, amor, só que você tá parecendo uma abelha!"; gargalhando sentado no provador da frente.
Irritada, pois, tinha mesmo gostado do vestido, disse:
"Abelha sexy, o cacete!"
Arranquei o vestido sem pensar em quem estava por ali e, acostumada com a nossa intimidade, não me importei em ficar de calcinha e salto alto pelos segundos que levei para tentar pegar a peça do chão, dar meia volta e entrar novamente no provador.
Bastou. Ele deu um pulo do banquinho, me pegou pelo braço com força, me empurrou contra o espelho e puxou a cortina dizendo:
"Você é louca?"
Respondi perguntando o que tinha feito; olhei sem entender aquilo,assustada com a força e aspereza do comportamento dele, que estava realmente bravo e... excitado.
"Que foi que eu fiz?" falei, olhando para aqueles olhos, nunca tão verdes e que me devoravam; entendi quase tudo e fiz minha parte. Acabamos num amor/sexo rápido, violento e eficaz; recolhi o vestido, estopim de tudo, coloquei meu jeans e antes de falar alguma coisa, ele saiu dali transtornado, em silêncio.
Passei o resto do dia com todas as emoções que a angústia pode trazer; o celular ele não atendia, no apartamento (nem no meu, nem no dele) não estava e também não tinha voltado ao escritório. Sumiu.
Em casa, já de madrugada só com a luz do abajur, eu estava encolhida no sofá vestindo a camiseta dele dormir, com o vinho no fim e todos os 4 aparelhos telefônicos dispostos na minha frente, na mesinha.
02h, 03h, 04h da manhã e nada, nenhuma notícia, sms ou bilhete; decidi que ligaria para polícia assim que amanhecesse. Não precisei. Ás 04h23min ele estava entrando em casa.
Desabei o mundo em lágrimas num abraço que queria engolir o corpo dele, depois, comecei a gritar, completamente histérica, questionando aquela maluquice, até que ele me interrompeu, segurando minhas mãos:
“Você nunca mais vai cometer aquele deslize, eu não vou deixar . Isso vai te lembrar, todos os dias o por que."
Ele tinha uma caixinha de camurça preta na palma das mãos.
"Aceita ser minha, pra sempre?"
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