Secret love

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O amor entre linhas

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os olhos

Era o casamento da minha prima. Eu estava tentando tirar uma foto, não sujar o vestido e não “pagar calcinha” para levantar; chamei por uma das minhas amigas, mas, ela não ouviu, estava de conversa com um rapaz. Decidi levantar sozinha, pensando“por que seria tão grave “pagar calcinha”, um tanto de famosas fazem isso”;  apoiei o braço, estava quase me erguendo quando ouvi:
 “ Apóia no meu ombro”. Segurei com força o ombro voluntário, olhando para cima, buscando o rosto do cavalheiro e no momento em que o encontrei fiquei presa a seus olhos; o tempo parou, tudo ao nosso redor girou, meus cabelos pendiam sobre o braço que me amparava, com força suficiente para que  me sentisse segura ali.
Muito levemente, ele me girou frente ao seu corpo largo e já de pé, a seu lado ele disse: “se você quiser qualquer coisa, pode me chamar”, beijou o colo da minha mão e saiu.
 Tudo isso transcorreu no tempo de um arfar, ninguém além de mim reparou  no que aconteceu e eu refletia o porquê do meu  coração doer de tão acelerado e minha visão repetir a imagem daqueles olhos verdadeiros imãs negros, misteriosos.Na  festa por mais que o procura-se não o encontrava pois, naquele momento mágico que ocorreu não consegui prestar atenção em mais nada que pudesse descrevê-lo que não os olhos.
Enquanto meu corpo respondia excitado á lembrança das mãos fortes, do abraço quente, da voz gentil e claro, dos enigmáticos olhos eu era  constantemente aborrecida com os bilhetinhos de algum garçom da festa, um saco.
No fim da festa, depois de horas procurando o causador do meu frenesi, não o encontrei; cumprimentei os convidados restantes, me despedi dos noivos e parei na mesa de café (precisava de um doce) foi quando, pela 16º vez, uma garçonete me entregou mais um bilhetinho do tal garçom.
Irritadíssima, com todo o infortúnio da noite, tomei ferozmente o bilhete das mãos da garota e caminhei pelo salão fazendo todo barulho possível com meu salto alto, até a cozinha.
Na porta, apoiei uma mão na cintura e a outra balançava o bilhetinho ao som inquietantemente do bater de um dos meus pés no chão e disse:
Quem é o Marcelo?
Ninguém respondeu; fui até o meio do corredor e repeti a pergunta e de novo, nada; virei  e saí, literalmente, marchando cozinha fora, emputecida, até ouvir:
 “espera moça!”
Meu coração parou, eu já ouvirá aquela voz. Dei meia volta; o provável interlocutor caminhava a passos largos até mim, de cabeça baixa, as mãos na nuca.
 A um palmo de mim, ele tirou o toque blanche e o coração que estava parado, agora, queria abrir um buraco e saltar fora do meu peito: eram os olhos que tanto busquei.
Aqueles olhos negros que me ergueram, sustentaram e  encantaram; os únicos donos daquele turbilhão sem porque dentro de mim. Ele disse:
“Oi, sou eu, te ajudei a levantar quando, você tava se contorcendo pra tirar uma foto, lembra?” Só consegui sibilar:
“uhun”
Ele continuou:
 “Você não respondeu nenhum bilhete e ta brava, devo me desculpar?” Com muito esforço respondi:
“não”.
Ele rio (o riso mais lindo que vi até hoje), pegou minha mão falando:
“Vai parecer maluquice, mas, eu não consegui parar de pensar nos teus olhos a noite toda e, é, bom...” Arrumei alguma força e murmurei:
“procurei os teus até agora”.
O moreno, de cabelos pretíssimos, muito mais alto que eu ia dizer algo mais quando o beijei, na verdade, um “selinho” porquê tive medo da reação dele e voltei a minha posição anterior.
Ele me agarrou; uma das mãos na minha nuca segurava e puxava (num equilíbrio de força perfeito) meus longos cabelos; a outra, suspendia-me pela cintura até a altura dos seus lábios macios e agressivos (de novo, o equilíbrio), no beijo só não mais perfeito por me desligar, dos olhos que começaram essa história.



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